Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10174/20957

Title: Representações da criança, da criança em idade pré-escolar e da criança em idade escolar em educadores de infância e professores do 1º ciclo do ensino básico
Authors: Grácio, Maria Luísa Fonseca
Advisors: Martins, Margarida Alves
Issue Date: 1995
Publisher: Universidade de Évora
Abstract: INTRODUÇÃO: A ideia desta Dissertação de Mestrado surgiu da confluência de factores muito variados: afectos, interesses, conhecimentos, experiências pessoais e profissionais, constatações e interrogações. No âmbito dos afectos, as crianças ocuparam sempre um espaço previligiado.na minha vida, o que veio a reflectir-se no meu percurso profissional continuamente marcado, directa ou indirectamente, pela sua presença. O facto de me vir dedicando há já longo tempo à formação inicial de Educadores de Infância em diferentes instituições (Magistério Primário, Escola Superior de Educação, Universidade) contribuiu para manter a criança como alvo da minha atenção e curiosidade. Se nos debruçarmos sobre o actual contexto social facilmente verificamos que este se encontra impregnado pelas mais diversas imagens da criança: na moda, na publicidade, na televisão, em artigos das mais variadas revistas e livros, em discursos oficiais, especializados e do senso comum, etc. Por outro lado, constatamos que os mecanismos e as instituições de resposta à criança apresentam muitas insuficiências e contradições. O que pensar então de tudo isto? O que pensamos de facto sobre as crianças? Pensamos todos mais ou menos o mesmo sobre elas? Que representação se encontra por detrás da relação que com elas estabelecemos, da educação que lhes porporcionamos e das condições e qualidade de vida que lhe criamos? Que importância, atribuímos afinal às crianças? Foram estas e outras interrogações e preocupações iniciais de âmbito muito geral sobre a criança que deram origem à nossa investigação. A pesquisa que realizámos pretende explorar e conhecer as representações que os Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico e os Educadores de Infância têm da criança em geral, da criança em idade pré-escolar e da criança em idade escolar e enquadra-se na sequência do trabalho de Moscovici (1961), que introduz a noção de representação social enquanto guia de acção. A noção de representação apresenta-se como importante para a compreensão das interacções sociais, o que foi demonstrado por vários autores que tentaram verificar experimentalmente esta característica das representações, concluindo que as representações elaboradas ou induzidas em situações de interacção têm um papel por vezes mais importante que as características objectivas nos comportamentos adoptados pelos indivíduos ou grupos. Situamo-nos, pois, no quadro conceptual fornecido pela teoria das representações, tendo presente que o ponto de partida da noção de representação é o abandono da distinção entre sujeito e objecto, suporte da psicologia clássica. O objecto inscreve-se num contexto activo em que o estimulo e a resposta se formam conjuntamente, constituindo-se a resposta não só como uma reacção ao estímulo, mas também até certo ponto como estando na origem do próprio estímulo. Assim, por exemplo, no caso da expressão de uma opinião relativamente a um objecto ou situação, esta opinião é de certa forma constitutiva do objecto e determina-o, sendo o objecto reconstituído de forma a ser consistente com o sistema de avaliação utilizado pelo indivíduo ou grupo. Desta forma, o objecto não existe em si mesmo, mas para um indivíduo ou grupo e em relação a eles. Por conseguinte, é a relação sujeito-objecto que determina o próprio objecto (Abric, 1994). Para Moscovici ( 1961), a distinção entre sujeito e objecto não tem sentido, pois não existe ruptura entre o universo interior e exterior do indivíduo ou do grupo. Considerando-se o sujeito e o objecto como não distintos, altera-se o estatuto do que se designa por "realidade objectiva", que deixa de existir e é substituída por uma realidade representada ou seja, apropriada pelo indivíduo ou grupo, reconstruída no seu sistema cognitivo e integrada no seu sistema de valores dependentes da sua história e do contexto social e ideológico. A realidade exterior é sistematicamente integrada no sistema cognitivo do indivíduo constituíndo-se assim como representação dessa mesma realidade tal como foi apropriada e reconstruída pelo sujeito num dado contexto, passando deste modo a ser considerada como a própria realidade. Moscovici considera ainda que a opinião do indivíduo, constituída pelo seu sistema ideológico de crenças e atitudes, precede o objecto e que a própria interacção estabelecida é pré-determinada por essa opinião. Assim, quando um sujeito emite determinada opinião não é só o objecto que está em questão, mas as suas atitudes (sistema de antecipação, expectativas) em relação ao objecto, ele próprio reconstruído pelo sujeito para o tornar conforme ao seu sistema de atitudes. Desta forma, a representação constitui para o sujeito a realidade e é determinada pela finalidade/significação da situação para o indivíduo ou grupo. Esta significação é definida quer por componentes dos objectos, quer pelo sistema de atitudes conscientes ou inconscientes do indivíduo ou grupo. A representação depende simultaneamente dos indivíduos em si (portadores de um passado, de uma história, de experiências...) e do contexto social e ideológico no qual é produzida. As relações complexas, reais e imaginárias, objectivas e simbólicas que o sujeito mantém com·o objecto fazem da representação um sistema simbólico, organizado e estruturado, cuja função essencial é a apreensão e controle do mundo, permitindo ao sujeito a compreensão e interpretação deste (intrepretação essa que rege as relações dos indivíduos) e sua adaptação a este. Desta forma, a representação constitui-se como um elemento essencial para guiar os comportamentos ou práticas, orientando as acções e as relações sociais, sendo também um sistema de pré-descodificação da realidade na medida em que determina antecipações e expectativas. No caso concreto da criança, do adulto, do agente educativo e do ensino, conclui­se da impossibilidade de os encarar de forma abstracta, na medida em que todos eles surgem sempre integrados num determinado contexto, o qual determina em grande parte o acto educativo. Assim sendo, este não pode nunca ser considerado um mero acto técnico isolado e abstracto, livre de qualquer influência representativa. Quer as interacções adulto/criança, quer a própria adopção de uma linha educativa dependem da representação do que é a criança, daquilo em que ela se deverá tornar e dos sistemas de valores e normas respeitantes à infância e ao seu papel no universo representativo dos adultos. Constituindo-se os educadores em geral como agentes sociais junto das crianças, com a incumbência de as fazer passar ao estado adulto inculcando-lhes conhecimentos, atitudes, normas e valores do grupo social de pertença e tendo presente que a mediação dos adultos exercida através da comunicação e da acção é importante na formação do conhecimento e na estruturação da personalidade infantil, parece-nos importante tentar conhecer as representações que os Educadores de Infância e os Professores do 1o Ciclo do Ensino Básico têm da criança. Embora tenhamos presente a ideia de que as práticas e representações se engendram recíprocamente, no âmbito do nosso trabalho debruçar-nos-emos essencialmente sobre o conteúdo da representação em causa. O trabalho que a seguir apresentamos estrutura-se em seis capítulos antecedidos por esta introdução geral. No primeiro capítulo, apresentamos o quadro teórico de referência relativo às representações sociais e alguns estudos no âmbito das representações sociais da criança. No segundo capítulo, apresentamos a problemática e no terceiro a metodologia utilizada. Segue-se o quarto capítulo, onde descrevemos e analisamos os dados. No quinto capítulo apresentamos a discussão dos resultados. Finalmente no sexto e último capítulo apresentamos as conclusões do nosso estudo.
URI: http://hdl.handle.net/10174/20957
Type: masterThesis
Appears in Collections:BIB - Formação Avançada - Teses de Mestrado

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