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Title: Piroplasmose equina pelos olhos dos criadores portugueses: entre o conhecimento e a prática
Authors: Cabete, Ana
Bettencourt, Elisa
Padre, Ludovina
Gomes, Jacinto
Keywords: Piroplasmose
equinos
conhecimento
prática
criadores
Issue Date: 2025
Publisher: Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias
Citation: Ana Cabete, Elisa Bettencourt, Ludovina Padre, Jacinto Gomes. 2025. Piroplasmose equina pelos olhos dos criadores portugueses: entre o conhecimento e a prática. Proceedings Book of the 16th International Conference of the Hospital Veterinário Muralha de Évora, Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, 120 (627) 17
Abstract: Introdução e objetivos: A piroplasmose equina (PE)é uma doença dos equídeos causada pelos protozoários Theileria equi, Babesia caballi e Theileria haneyi,transmitidos por carraças. Tem impacto na saúde, nãosó pela forma aguda, mas também pela crónica, com baixa erformance e dificuldade em ganhar peso. Além disso, tem também impacto económico, impedindo trocas comerciais. A PE é endémica em Portugal, pelo que é essencial que os criadores de equinos estejam informados, para poderem implementar medidas preventivas. O objetivo deste estudo é perceber quais os conhecimentos, atitudes e práticas dos criadores de equinos portugueses relativamente à PE, utilizando um questionário KAP (knowledge, attitudes and practice). Metodologia e Resultados: O questionário, destinado a criadores/tutores de equídeos nacionais, incluiu 30 perguntas divididas em três secções e esteve disponível durante um ano (03/2023 – 03/2024), divulgado por email/ redes sociais. A secção “conhecimentos” foi pontuada (0-12 pontos) em baixo (0-4), médio (>4-8) e alto (>8-12), enquanto as secções “atitudes” e “práticas” foram analisadas estatisticamente. Responderam 21 participantes (13 homens, 8 mulheres), maioritariamente dos 30-50 anos (52.4%). A região mais representada foi o Alentejo (47.6%), predominando criadores de Puro-Sangue Lusitano (85.7%), em estabulação mista (61.9%). A aptidão de 66.7% é reprodução, com o seguinte efetivo: 35.7% detêm 5-20 animais, 28.6% > 20-50 e 35.7% >50 equídeos. Quanto aos resultados dos conhecimentos sobre a PE, 3 apresentaram nível baixo, 13 médio e 6 alto. Sobre atitudes perante a doença, 76.2% consideram-na um problema sanitário e económico, associando maior risco de infeção a campo (85.7%), cuja prevenção passa pelo controlo das carraças (95.2%). O diagnóstico laboratorial é visto como método de confirmação de PE no efetivo (66.7%), embora 90.5% não vejam necessidade de testar os animais destinados a exportação se nunca tiverem tido casos clínicos. Relativamente às práticas, 76.2% utilizam desparasitantes externos e retiram as carraças dos cavalos. 76.2% dos inquiridos tiveram casos nos últimos 5 anos, sendo os motivos mais frequentes de testagem a exportação para países livres (57.1%) e doença clínica (42.9%). Após tratamento, 78.6% dos criadores relataram ausência de recidivas e 21.4% referem que nunca recuperaram totalmente (N=14). Principais conclusões: Os inquiridos têm um nível de conhecimento médio sobre a PE e reconhecem a sua importância a nível sanitário e económico. Estão cientes de que animais a campo estão mais expostos, e que as carraças são um problema. Como prevenção, recorrem maioritariamente aos desparasitantes externos e à remoção das carraças. Considerando os resultados referentes ao diagnóstico, é importante alertar para a testagem pré-exportação, pois nunca ter tido um caso não significa que não venham a ter, tornando esta prática um risco comercial. A maior parte dos casos positivos foram identificados aquando de exame pré-exportação. Isto é comum em países endémicos, em que a maioria dos animais são portadores assintomáticos. O facto de 21.4% referirem que os animais nunca recuperaram a 100% é compatível com um estado de infeção crónica (por falha terapêutica ou fatores intrínsecos ao equídeo). Este estudo é o primeiro a avaliar o conhecimento, atitudes e práticas dos criadores/tutores de equinos em Portugal. Concluiu-se que, no geral, os inquiridos estão cientes da importância da PE e aplicam boas práticas de prevenção, havendo margem para melhorar. Um questionário com mais participantes, sobretudo criadores, e efetivos de maiores dimensões seria mais representativo e permitiria uma melhor identificação de gaps de conhecimento.
URI: http://hdl.handle.net/10174/40318
Type: article
Appears in Collections:MED - Artigos em Livros de Actas/Proceedings

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