Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10174/13082

Title: Modos de vida e situação de saúde de uma pequena comunidade rural
Authors: Marrucho, Maria do Céu Antunes Martins
Advisors: Ramos, Francisco
Keywords: Saúde pública
Modos de vida
Comunidade rural
Rio Verde
Issue Date: 1998
Publisher: Universidade de Évora
Abstract: Introdução - Este estudo versa sobre uma pequena comunidade rural constituída por dezanove famílias, somando um total de trinta e duas pessoas. Rio Verde é o pseudónimo pelo qual será designada. A opção por esta pesquisa surge em consequência de uma certa inquietação pessoal e profissional pelo facto desta comunidade assumir características que a tornam francamente vulnerável a problemas de saúde. A problemática que envolve a presente investigação prende-se com um conjunto de elementos que desde já se afigura oportuno explicitar, para compreender melhor o contexto geral da unidade de análise. A aldeia está situada a 4 Km da sede de freguesia e a 46 Km da sede do concelho, o qual se enquadra na região "Pinhal Interior Sul, segundo a terminologia adoptada pela Nomenclatura de Unidades Territoriais para fins Estatísticos de nível III CNUTE III), juntamente com os concelhos de Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Mação. Oleiros, é, na zona do Pinhal, o concelho que está mais isolado fisicamente e, à semelhança de uma larga faixa interior do País, esteve exposto durante os anos 60 e 70 a um forte movimento migratório da população. Neste contexto, seria difícil à aldeia de Ria Verde fugir ao referido fenómeno. Tal como em muitas aldeias do concelho, verificou-se nesta pequena comunidade, uma forte mobilidade geográfica da população mais jovem, no decorrer dos últimos trinta anos. Uns, atraídos pelas áreas urbanizadas e pelos países industrializados que eram o garante duma situação económica estável, outros por razões educacionais, abandonaram paulatinamente aquele que outrora fora o seu espaço privilegiado, mas onde actualmente não reconhecem alguma possibilidade de ver realizadas as suas necessidades pessoais e profissionais. O resultado destes movimentos migratórios apresenta duas faces: positiva e negativa. Positiva, porque grande parte da população teve acesso a melhores níveis de vida e algumas condições de ascensão social. Negativa, devido às consequências da deserção verificada: a aldeia foi ficando cada vez mais despovoada, com uma população envelhecida e sem nenhum dinamismo social e económico. Hoje, Rio Verde é uma pequena comunidade constituída quase exclusivamente por pessoas idosas. Das 32 pessoas que aí vivem, 25 têm idades superiores a 65 anos. Para além do acentuado envelhecimento, a comunidade confronta-se com mais duas realidades que a colocam, em meu entender, numa situação de marginalidade social e acentuam a sua vulnerabilidade: afraca acessibilidade, que advém da inexistência de transporte público e o isolamento familiar, motivado pela ausência dos filhos. De facto, não existe nenhum serviço rodoviário que sirva as pessoas deste aglomerado. A Rodoviária da Beira Interior circula a 2Km da aldeia. À excepção de dois residentes que possuem viatura própria, os restantes elementos vêem-se confrontados com a necessidade de percorrer essa distância a pé, o que se torna um factor limitativo para a comunidade em geral e muito especialmente para os mais idosos. Por sua vez, sem filhos na aldeia, penso que será difícil desenvolver processos de ajuda que aligeirem as dificuldades sentidas no grupo em estudo. Outro elemento que desde logo se afigurou problemático está relacionado com a assistência à saúde. A extensão de saúde, o recurso de saúde mais próximo, situa-se na sede de freguesia a 4 km da aldeia. Perante o conjunto das circunstâncias descritas (características da população, condicionantes familiares e dificuldades na assistência à saúde) não tive dúvida em considerar este grupo como potencialmente vulnerável a problemas de saúde, reconhecendo-o à partida merecedor de um estudo profundo. Por outro lado, o facto de ter nascido na aldeia foi factor relevante para abraçar a ideia de desenvolver a minha tese precisamente nesta comunidade. O conjunto de carências a que esta comunidade parece estar votada remete-a para uma situação de exclusão social e isolamento. O isolamento produz costumes sedimentados, cristalizados, que praticamente não. se alteram. Verifica-se um máximo de "estabilidade" e acomodação pessoal, reduzindo-se ao mínimo a possibilidade de mudança. No plano da saúde, qualquer tipo de isolamento (espacial ou geográfico, estrutural ou funcional) poderá ter implicações negativas. Sabe-se também que as condições de saúde de uma população estão relacionadas fortemente com o nível de desenvolvimento socioeconbmico pois dependem, por um lado, da capacidade de oferta em quantidade, qualidade e eficiência de serviços de saúde e da sua acessibilidade, e, por outro, das condições gerais devida que se reportam à alimentação, à habitação ou ao meio ambiente. Nas prioridades do Sistema de Cuidados preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (0.M.S. 1985), a meta n° 27, refere-se à distribuição dos recursos duma forma racional e de acordo com as necessidades da população da seguinte forma: "Até 1990, em todos os Estados Membros, as infra-estruturas dos sistemas de prestação de cuidados deveriam estar organizadas por forma a que os recursos estivessem distribuídos de acordo com as necessidades e que os serviços fossem física e economicamente acessíveis à população, além de culturalmente aceitáveis por esta.(...) “A acessibilidade aos serviços de saúde pode ser comprometida pela distância, pela insuficiência ou pelo custo dos meios de transporte, ou por horários incómodos. Pode também haver factores económicos, culturais, e de organização que limitem a acessibilidade aos serviços de saúde" (0.M.S. 1985: 121).
URI: http://hdl.handle.net/10174/13082
Type: masterThesis
Appears in Collections:BIB - Formação Avançada - Teses de Mestrado

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