Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10174/40867

Title: Alterações climáticas: o hiperfacto face à evasiva política e à consciência passiva da humanidade
Authors: Martins, José
Keywords: consciência
crise
extinção
fundo/fundamento
hiperfacto
Medeia
sustentabilidade
Issue Date: 16-Nov-2023
Publisher: 6º Festival de Filosofia de Abrantes “Sustentabilidade: verdade ou consequências”
Citation: Martins, José Manuel, “Alterações climáticas: o hiperfacto face à evasiva política e à consciência passiva da humanidade”, comunicação apresentada ao 6º Festival de Filosofia de Abrantes “Sustentabilidade: verdade ou consequências”, Biblioteca Municipal ‘António Botto’, 16-18 de Novembro de 2023
Abstract: A experiência cosmofânica do astronauta Borman inaugurou a consciência da condição a-sustentada do ‘pequeno berlinde azul’ no espaço sem fundo que o engole. Toda o empreendimento de sustentabilidade sobre o solo terrestre supõe (sob forma denegada) esse abismo infinito de uma precariedade tão física quanto metafísica. A esse primeiro hiperfacto constitutivo vem adicionar-se um outro, adventício: toda a miríade de factualidades terrestres se encontra doravante repassada por uma hiperfactualidade virtual e omnipresente – o lento apocalipse ecossistémico em curso –, que naquelas se actualiza. A crise ecológica redobra-se numa crise da consciência que a denega, e que constitui, não um mero fenómeno reactivo (mental) face à primeira (real), mas uma segunda camada de realidade, que de resto reata com a própria causalidade originária que em primeiro lugar desencadeou historicamente a crise: a ilimitada voragem expansiva da espécie biológica humana no seu alastramento territorial à totalidade do orbe. Esse o terceiro hiperfacto (aquele que, não dotado de factualidade própria, é porém o factualizador capital de todos os outros): tal como a Terra – o ‘solo da realidade’ – não tem chão ela própria (1º hiperfacto); e tal como tudo o que hoje ocorre e parece estabelecido em si próprio é regido pelo seu coeficiente de periclitância apocalíptica (2º hiperfacto); assim também a crise ecológica global tem a sua factualidade na hiperfactualidade de uma consciência que inteiramente detém nela mesma aquilo que de crise há na ‘crise’. A modalidade privilegiada dessa larvar ‘crise da crise’ é, justamente, o mantra da ‘sustentabilidade’, superstição verbal da esconjuração mágica da realidade pela etiqueta incantatória. O imperativo universal, o desvairamento hipertrófico da ‘sustentabilidade’, se bem que motivado por todos os planos que nos constituem, dos biofísicos aos éticos e aos metafísicos, configura todavia a mais perigosa, e a derradeira, das demências, que nos mantém descrentes daquilo que sabemos, no pavor paralisante diante do ‘impossível’.
URI: http://hdl.handle.net/10174/40867
Type: lecture
Appears in Collections:FIL - Comunicações - Em Congressos Científicos Nacionais

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