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http://hdl.handle.net/10174/42649
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| Title: | La Real Casa Pia de Lisboa (1780-1805): innovation et tradition dans les politiques d’assistance et de contrôle social au Portugal |
| Authors: | Monserrate, Cristela Marques de |
| Advisors: | Abreu, Laurinda |
| Keywords: | Police Assistance Pauvreté Orphelins Éducation Femmes Lumières Police Welfare Poverty Orphans Education Women Enlightenment Polícia Assistência Pobreza Órfãos Educação Mulheres Iluminismo |
| Issue Date: | 13-Jul-2026 |
| Publisher: | Universidade de Évora |
| Abstract: | Fondée en 1780 par Diogo Inácio de Pina Manique, Intendant Général de la Police de
la Cour et du Royaume, la Real Casa Pia de Lisboa constitue l’une des institutions les plus
emblématiques de l’assistance au Portugal sous l’Ancien Régime.
Conçue comme un instrument de formation et de régénération sociale inspiré par les
idéaux des Lumières, elle articule discipline, travail, hygiène et instruction dans le but de
transformer des individus jugés problématiques, ou potentiellement marginalisés en raison
de leur pauvreté ou de leur vulnérabilité, en « citoyens utiles ».
Cette recherche examine la manière dont la Police de la Cour et du Royaume a tenté de
réformer les pratiques d’assistance et de contrôle social entre 1780 et 1805. Elle s’appuie sur
une base de données de plus de 13 000 admissions d’hommes, de femmes et d’enfants dans
les différentes institutions rattachées à la Real Casa Pia, croisée avec des correspondances
administratives et des registres paroissiaux. L’étude adopte une approche à la fois
quantitative et qualitative, permettant de reconstituer des trajectoires individuelles et de
mettre en lumière les logiques de contrôle social mises en œuvre par l’Intendant général de
la Police.
L’analyse se déploie en quatre parties, en plus de l’introduction et de la conclusion. La
première examine la formation de l’État de police au Portugal et montre comment la Real
Casa Pia de Lisboa, distincte des prisons traditionnelles, devient un instrument de régulation
sociale fondé sur l’éducation, le travail et la gestion de la pauvreté. La deuxième s’attache
aux populations institutionnalisées, les hommes, les femmes et les prostituées et met en
évidence leurs stratégies de survie et de résistance. La troisième explore la formation des
enfants et des jeunes, ainsi que les mécanismes de réinsertion sociale et professionnelle.
Enfin, la dernière partie analyse les prolongements de l’institution dans des projets de
développement économique et social, de Lisbonne à Manique do Intendente, jusqu’aux
Açores.
En révélant les tensions entre les ambitions réformatrices et les résistances sociales,
cette thèse montre que la Real Casa Pia incarne à la fois un projet disciplinaire et une
expérience pionnière d’assistance. Elle invite ainsi à repenser les relations entre police,
assistance et société dans la transition du XVIIIᵉ au XIXᵉ siècle; - Abstract:
The Real Casa Pia of Lisboa (1780-1805): welfare and social control policies -
The Royal Casa Pia of Lisbon, founded in 1780 by the Intendente-General of the Police
of the Court and the Kingdom, Diogo Inácio de Pina Manique, stands as one of the most
emblematic charitable institutions in Portugal at the end of the Ancien Régime. Conceived
as an instrument of training and social regeneration inspired by Enlightenment values, it
combined discipline, labour, hygiene, and education with the aim of transforming
problematic individuals – or those potentially deemed problematic because of their poverty
or other forms of vulnerability – into “useful citizens.”
This research examines how the Police of the Court and the Kingdom sought to reform
welfare practices and social control between 1780 and 1805. Based on a large database
comprising more than 13,000 admissions of men, women, and children to the various
institutions that made up the Real Casa Pia – cross-referenced with administrative correspondence and parish registers – the study employs both quantitative and qualitative
approaches to reconstruct individual trajectories and to understand the logics of social
control implemented by the Intendente-General of Police.
The analysis unfolds in four parts, in addition to the introduction and conclusion. The
first part examines the formation of the police state in Portugal and shows how the Real Casa
Pia de Lisboa, distinct from traditional prisons, became an instrument of social regulation
based on education, work, and the management of poverty. The second focuses on the
institutionalized populations – men, women, and prostitutes – and sheds light on their strategies
of survival and resistance. The third examines the education and training of children and
young people, as well as the mechanisms of social and professional reintegration. Finally,
the last part explores the expansion of the institution through projects of economic and social
development, from Lisbon to Manique do Intendente and even to the Azores.
By revealing the tensions between reformist ambitions and social resistance, this
dissertation shows that the Real Casa Pia embodies both a disciplinary project and a pioneering experiment in welfare. It thus invites a rethinking of the relationship between police,
assistance, and society during the transition from the eighteenth to the nineteenth century; - Resumo:
A Real Casa Pia de Lisboa (1780-1805): inovação e tradição nas políticas de
assistência e de controlo social em Portugal -
A Real Casa Pia de Lisboa, fundada em 1780 pelo Intendente-Geral da Polícia da Corte
e do Reino, Diogo Inácio de Pina Manique, constitui uma das instituições mais emblemáticas
da assistência em Portugal nos finais do Antigo Regime. Concebida como instrumento de
formação e regeneração social inspirado pelos valores do Iluminismo, articulava disciplina,
trabalho, higiene e instrução com o objetivo de transformar indivíduos problemáticos,
ou potencialmente problemáticos em virtude da sua condição de pobreza ou de outra forma
de fragilidade, em “cidadãos úteis”.
Esta investigação examina de que modo a Polícia da Corte e do Reino procurou
reformar as práticas de assistência e de controlo social entre 1780 e 1805. Com base numa
ampla base de dados que reúne mais de 13 000 admissões de homens, mulheres e crianças
nas diferentes instituições que integravam a Real Casa Pia, cruzada com correspondência
administrativa e registos paroquiais, o estudo recorre a uma abordagem quantitativa e
qualitativa para reconstituir percursos individuais e compreender as lógicas de controlo
social implementadas pelo Intendente-Geral da Polícia.
A análise desenvolve-se em quatro partes, para além da introdução e da conclusão. A
primeira parte examina a formação do Estado de polícia em Portugal e demonstra como a
Real Casa Pia de Lisboa, distinta das prisões tradicionais, se tornou um instrumento de
regulação social baseado na educação, no trabalho e na gestão da pobreza. A segunda centrase nas populações institucionalizadas – homens, mulheres e prostitutas – e evidencia as
estratégias de sobrevivência e resistência. A terceira examina a formação de crianças e
jovens, bem como os mecanismos de reinserção social e profissional. Por fim, a última parte
explora os desdobramentos da instituição em projetos de desenvolvimento económico e
social, de Lisboa a Manique do Intendente e até aos Açores.
Ao revelar as tensões entre as ambições reformistas e as resistências sociais, esta tese
demonstra que a Real Casa Pia encarna simultaneamente um projeto disciplinar e uma
experiência pioneira de assistência. Permite, assim, repensar a relação entre a Polícia,
a assistência e a sociedade na transição dos séculos XVIII para XIX |
| URI: | http://hdl.handle.net/10174/42649 |
| Type: | doctoralThesis |
| Appears in Collections: | BIB - Formação Avançada - Teses de Doutoramento
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