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http://hdl.handle.net/10174/41645
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| Title: | The Moral Economy of Care in the Age of Crisis. The moral regulation of Migrant Care Labor in the realm of Eldercare provision |
| Authors: | Monini, Carlotta |
| Advisors: | Abreu, Laurinda |
| Keywords: | Moral economy Commodification of care Migrant live-in Domestic Workers Outsourced Eldercare Southern Europe Familism Economia moral Prestação de Cuidados à Velhice Trabalhadoras Domésticas Migrantes Transações Íntimas e Mercantilizadas Sul da Europa Familismo |
| Issue Date: | 17-Dec-2025 |
| Publisher: | Universidade de Évora |
| Abstract: | This dissertation investigates the transformation of eldercare provision in contemporary Italy, focusing
on the role played by migrant domestic workers residing in elderly households. In a context
marked by the contraction of the welfare state, demographic ageing, and the feminization
of transnational labour, it analyses how families respond to the progressive transition of eldercare
from an intrafamilial obligation to a paid service. It then examines how this transformation
engenders persistent tensions in the domestic space, as families find themselves compelled to
reconcile practical needs, normative expectations, and affective bonds in the organization and
moral evaluation of outsourced care.
At the intersection between intimate and commodified transactions, the concept of moral economy
is discussed as a privileged analytical lens for apprehending the regulatory logics through
which the commodification of care is simultaneously organized by the market and morally legitimized
in everyday life.
At the macro level, it shows how moral economies are manifested through public policies and
the bureaucracies of the welfare state, which define socially acceptable forms of care provision,
regulate access to support, and determine who is entitled to care, under what conditions, and by
whom. It is argued that these institutional frameworks not only shape the existence of vulnerable
populations but also transfer care responsibilities to the private sphere of households.
At the micro level, it analyses how, within the home, the same moral rationalities sustain a polarized
dynamic, in which contractual obligation and moral expectation intertwine, configuring the way
care is delegated, interpreted, and evaluated through an ethical prism. It is shown that, in this context,
care relations assume a highly contingent character, subject to constant negotiation. Symbolic inclusion—frequently expressed in terms of affection, trust, and loyalty—can be suddenly withdrawn
in moments of conflict, reactivating contractual logics and exposing latent asymmetries.
It also analyses how migrant caregivers actively participate in these dynamics, not as mere passive
recipients, but as agents who interpret, readjust, and at times contest the normative frameworks
in which they are embedded. Through their situated responses, it is observed that they contribute
to the continuous redefinition of care roles, sometimes reinforcing and sometimes destabilizing
the moral order that legitimizes their own precariousness.
Finally, it is shown that the moral economy functions simultaneously as an instrument of domination—
which conceals and reinforces inequalities in domestic relations—and as a space of contestation,
in which claims to equity and justice can be articulated and exercised.
In sum, this dissertation seeks to contribute to the academic debate on the commodification of
care, highlighting the ways in which the moral economy structures, legitimizes, and at times challenges
the contemporary organization of eldercare in Italy; - Sumário:
A Economia Moral do Cuidado em Tempos de Crise: a Regulação Moral do Trabalho Migrante
de cuidados no domínio da prestação de Cuidados a Pessoas Idosas
Esta tese investiga a transformação da prestação de cuidados à velhice na Itália contemporânea,
centrando-se no papel desempenhado pelas trabalhadoras domésticas migrantes residentes em
lares de idosos. Num contexto marcado pela contração do Estado-Providência, pelo envelhecimento
demográfico e pela feminização do trabalho transnacional, analisa-se de que modo as
famílias respondem à transição progressiva dos cuidados à velhice, de obrigação intrafamiliar a
serviço remunerado. Examina-se, em seguida, como esta transformação engendra tensões persistentes
no espaço doméstico, uma vez que as famílias se veem compelidas a conciliar necessidades
práticas, expectativas normativas e vínculos afetivos na organização e na avaliação moral
dos cuidados externalizados.
No ponto de interseção entre transações íntimas e mercantilizadas, discute-se o conceito de
economia moral como lente analítica privilegiada para apreender as lógicas regulatórias através
das quais a mercantilização dos cuidados é simultaneamente organizada pelo mercado e legitimada
moralmente na vida quotidiana.
No plano macro, mostra-se de que modo as economias morais se manifestam por via de políticas
públicas e das burocracias do Estado-Providência, que definem formas socialmente aceitáveis de
prestação de cuidados, regulam o acesso ao apoio e determinam quem tem direito a cuidados, em
que condições e por quem. Argumenta-se que estes enquadramentos institucionais não apenas
moldam a existência das populações vulneráveis, como também transferem responsabilidades de
cuidado para a esfera privada dos lares.
No plano micro, analisa-se como, no seio do domicílio, as mesmas racionalidades morais sustentam
uma dinâmica polarizada, em que obrigação contratual e expectativa moral se entretecem, configurando o modo como os cuidados são delegados, interpretados e avaliados sob o prisma
ético. Mostra-se que, neste contexto, as relações de cuidado assumem um carácter altamente contingente
e sujeito a negociação constante. A inclusão simbólica — frequentemente expressa em
termos de afeto, confiança e lealdade — pode ser subitamente retirada em momentos de conflito,
reativando lógicas contratuais e expondo assimetrias latentes.
Analisa-se também a forma como as cuidadoras migrantes participam ativamente nestas dinâmicas,
não como meras receptoras passivas, mas como agentes que interpretam, reajustam e, por
vezes, contestam os enquadramentos normativos em que se encontram inseridas. Através das suas
respostas situadas, observa-se que contribuem para a redefinição contínua dos papéis de cuidado,
ora reforçando, ora desestabilizando, a ordem moral que legitima a sua própria precariedade.
Mostra-se, por fim, que a economia moral funciona simultaneamente como instrumento de dominação
— que dissimula e reforça desigualdades nas relações domésticas — e como espaço de
contestação, no qual podem ser articuladas e exercidas reivindicações de equidade e justiça.
Em suma, esta tese procura contribuir para o debate académico sobre a mercantilização dos
cuidados, evidenciando os modos como a economia moral estrutura, legitima e, por vezes, desafia
a organização contemporânea do cuidado à velhice em Itália. |
| URI: | http://hdl.handle.net/10174/41645 |
| Type: | doctoralThesis |
| Appears in Collections: | BIB - Formação Avançada - Teses de Doutoramento
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