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Title: Tectónica orogénica e de rifting, e impactos de tsunami no Barlavento Algarvio - Guia de Campo
Authors: Terrinha, Pedro
Duarte, João
Ribeiro, Carlos
Pereira, Helder
Costa, Pedro
Correia, Gina
Sousa, Monica
Keywords: Tectónica orogénica
Rifting
Tsunamitos
Issue Date: May-2025
Publisher: Associação Portuguesa de Geólogos
Citation: Terrinha et al. (2025). Tectónica orogénica e de rifting, e impactos de tsunami no Barlavento Algarvio - Guia de Campo. Associação Portuguesa de Geólogos
Abstract: Na Bacia Algarvia, sector ocidental de Sagres-Lagos encontra-se o registo tectonoestratigráfico de rifting, do Triásico (~220 Ma) ao Cretácico inferior terminal (Albiano, ~100Ma). As séries estratigráficas deste sector da Bacia Algarvia são condensadas, registando numa espessura inferior a 0.5 km o registo sedimentar Mesozóico local de 120 milhões de anos. Por oposição na Bacia offshore no Algarve Central o registo equivalente pode estar registado numa série de espessura da ordem de 4 km. No Mesozóico, o Algarve situava-se próximo da junção tripla de dois oceanos (figura 1) em expansão, o Atlântico Norte e o Neotétis (prolongamento ocidental do Tétis). Ambos estes segmentos oceânicos estavam associados a estruturas distensivas do tipo dorsal média oceânica. Não obstante, a interação dinâmica entre a deriva continental da África, Eurásia e América do Norte provocou campos de tensão compressiva locais. As séries condensadas mesozoicas da região de Sagres permitem a datação de estruturas de três fases de rifting (Triásico-Jurássico inferior, Jurássico médio e Jurássico superiorCretácico inferior), dolomitização (Jurássico inferior e Jurássico superior) e vários episódios de inversão tectónica, ou seja, momentos em que o campo de tensões se inverteu de distensivo para compressivo, causando crises sedimentares e ecológicas marinhas, devido a modificações ambientais, nomeadamente variações na posição da linha de costa e da altura da coluna de água (profundidade do mar). Estas modificações ambientais estão claramente patentes na litostratigrafia e sua relação com as descontinuidades estratigráficas (alostratigrafia). A Bacia Algarvia de idade Meso-cenozóica depositou-se sobre o substrato paleozoico que resultou da colisão intercontinental que levou à formação da Pangea. A Zona Sul Portuguesa é a unidade tectonoestratigráfica mais externa do orógeno Varisco da Península Ibérica, expondo as unidades metassedimentares de menor grau metamórfico, constituídas por séries do tipo flysch (sedimentos marinhos monótonos de natureza turbidítica). Após o auge da orogenia Alpina no Miocénico ocorreu o rearranjo tectónico pós-orogénico que levou à reativação da margem continental portuguesa. Daqui resultou um soerguimento geral da margem com repercussões na zona litoral e reativação tectónica compressiva de falhas anteriores (figuras 2 e 3). A sismicidade atual é consequência deste rearranjo tectónico, tendo como consequência a formação de enxames de sismos na área imersa, de frequência e magnitudes médias a elevadas com alguns episódios de magnitude elevada a muito elevada. Destes salientam-se o sismo de 1969 (M7.9) e o sismo de 1755, de magnitude estimada ~8.5 que causou um tsunami que atingiu as costas da Europa setentrional e do continente americano. Em Portugal foram caracterizados depósitos de tsunami, de entre os quais se salienta o da Boca do Rio. Diferentes aspetos morfológicos da costa podem ainda ser observados na região de Sagres-Lagos. Alguns destes aspetos são resultado da alteração do campo de tensões que causou soerguimento generalizado e das variações Plio-Quaternárias do nível do mar. Destacam-se as dunas consolidadas do Plistocénico tardio cuja base se situa abaixo do nível do mar atual e a plataforma de abrasão Pliocénica soerguida até cotas de ~120m (figura 4).
URI: http://hdl.handle.net/10174/41418
Type: article
Appears in Collections:MARE-UE - Publicações de Carácter Pedagógico

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