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Title: Tempos e espaços de mouros, a minoria mulçumana no Reino Português (séculos XII a XV)
Authors: Barros, Maria Filomena Lopes de
Advisors: Marques, A. H. de oliveira
Sidarus, Adel
Keywords: Tempos e espaços de mouros
A minoria mulçumana no reino português
Séculos xii a xv
Árabes
Comunidade mulçumana
Issue Date: 2004
Publisher: Universidade de Évora
Abstract: "Sem resumo feito pelo autor"; O mouro, enquanto realidade histórica que, teoricamente, desaparece da tessitura social portuguesa em 1497, é recuperado pela imagética popular em múltiplas acepções, que vão desde os provérbios às lendas. Nestas, o protagonismo é geralmente concedido ao género feminino, as mouras encantadas, guardiãs de tesouros escondidos que, sob certas condições, transmitem essas fabulosas riquezas a camponeses eleitos, desempenhando, assim, funções anteriormente atribuídas a divindades silvestres e aquáticas. Percepção que estrutura um tempo dos mouros que se contrapõe a um tempo alternativo dos Godos e a uma construção da memória escrita da Reconquista. Dos tempos dispensadores da riqueza estrutura-se uma dupla hierarquia: a da linhagem, que "fornece terras a transmitir na família, reproduzindo as dignidades e carismas que se lhe associam", justificada pela produção escrita; a da "oportunidade, individual e associada a experiências de fracasso: um tempo ilusório, quimérico, não domesticado e controlado pela história", vinculado pelas tradições orais. Esta "vingança da memória campesina" apoia-se, pois, na apropriação não do mouro, intruso, expulso e exterminado, mas das mouras, "ricas e infelizes na demanda de herdeiros , legitimando implicitamente, com esta distinção de género, a recepção de uma herança, cujo controlo (se bem que, na maior parte das vezes, ineficaz) cabe, ipso facto, ao homem, como portador da identidade familiar. Ao mouro resta, pois, um papel subalterno, percepcionado em função de um fracasso na defesa dos seus bens e mulheres que, ingloriamente, deixou para trás. Ou seja, o malogro absoluto da sua missão de Homem e que, por isso, merece um castigo perene. Assim, em Silves, a morte do rei mouro por afogamento no rio Arade, com o seu cavalo, repete-se incessantemente na noite de S. João, numa perspectiva quase sacrificial do solstício de Verão. Esta recuperação popular de um tempo não domesticado pela história, parece estender-se numa longa duração, como se continuasse a representar uma alternativa camponesa a todos os poderes entretanto estabelecidos. O refúgio neste imaginário aprecia-se, ainda hoje, nas zonas rurais, na imputação de qualquer vestígio material mais vetusto a esse quimérico tempo dos mouros. Subversão de uma tradição oral que adopta, justamente, como seu, um referente conotado como estranho à realidade nacional e marginalizado, por isso, pela produção escrita (e apenas redimido, de certa forma, pela corrente romântica). O externo interioriza-se, numa inconsciente rebelião de percepções. Assim, ainda em 1928, Leite de Vasconcelos constata que à criança não baptizada se chamava, "Moiro, Moira e mais usualmente, Moirinho e Moirinha', o que, se por um lado, marca o seu carácter ainda exterior à christianitas, por outro representa a implícita e impreterível promessa da sua total integração na comunidade cristã. A reconstrução imagética popular veicula, pois, a recuperação de um muçulmano abstracto, atemporal e domesticado às suas próprias aspirações - o mouro, mais propriamente dito, significante quiçá sem qualquer conteúdo semântico religioso, mas apenas com o significado de um alter-ego, excluído, desde sempre, da partilha das riquezas. A convergência paradoxal do ego e do alter. Noções que se consubstanciam, implícita ou explicitamente, no discurso sobre o muçulmano histórico, nomeadamente na que se refere ao muçulmano enquanto minoria em território cristão, através de critérios de análise que não se mostram coincidentes nem sequer pacíficos.
URI: http://hdl.handle.net/10174/11493
Type: doctoralThesis
Appears in Collections:BIB - Formação Avançada - Teses de Doutoramento

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